sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Afogada

Antes de tudo isso, você era para mim o oceano,
Incerto.
Tantas possibilidades,
 tanto tempo, tanta água pela frente.
Então eu mergulhei fundo,
fui com vontade e acabei te desbravando.
E então você virou a maré mansa em um dia quente de verão,
era a você que eu recorria depois de um dia cansativo.
 Você estava sempre lá,
era meu litoral.
Meu porto seguro.
Então vieram os dias difíceis,
você mudou e eu mudei.
E para mim, você virou um mar agitado.
Tempestuoso e intenso.
Era difícil,
mas eu aguentei.
Aguentei por você e por mim.
Por nós
Aguentei mesmo me afogando hora ou outra.
O tempo passou,
e novamente você mudou.
 Você virou uma tempestade.
Um mar furioso e atormentado.
Foi difícil segurar.
 E então eu me afoguei de vez.
Fui tão fundo que até hoje não me achei.
 Continuo perdida em algum lugar lá embaixo.
 Mas não cabe a você me procurar.
Você voltou a ser um mar calmo.
Mas não para mim.
Para mim você sempre será tempestuoso.
Um tipo de oceano no qual não tenho mais como me aventurar,
então eu fico a deriva.
Esperando algo ou alguém.
 Mas na verdade, na verdade.

Eu ainda
 estou
 lá 
no 
fun
do.

 Afogada.”

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

do it

 Irá chegar um dia onde todas aquelas coisas sem sentido, se revelaram, por mais que você não queira.
 As ações não executadas, palavras não pronunciadas, vão vir, assim como o pleonasmo nos dois verbos anteriores, causando a agonia assim como o de português para um que se irrite fácil com isso.
 Ainda em busca de um "e se?"
 Pense bem, pois caso seja isso mesmo, não sei o que se trata de viver para você. 
 Por acaso conheces o tamanho infinito de incertezas presentes somente desde a hora que você acorda até o meio dia?
Você ainda se prende quando vai expressar a sua e única opinião? 
A questão é mais simples do que imaginamos. Consegues enxergar algo de olhos fechados?
A mesma pergunta se aplica quando a questão é o dia de amanhã. Isso pode parecer música do legião, mas realmente, tendo observado o sofrimento do que é ter um "tarde demais", só penso que poderia ser evitado.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Define mais do que eu consegui escrever nas últimas 15 noites em claro

 Teu nome é cento e vinte por oitenta batimentos por minutos.
Ele é o vazio, é a tristeza, é o rancor, é a mentira que insisto em contar. É o calor do meio dia e a insônia da madrugada. É o soluço antes da apresentação do seminário, é a amnésia do dia da prova, é o riso ao conquistar o seis no final. Teu nome são as frases que diminuem e acrescentam meus textos, é a cantiga do sertanejo como a música clássica para o maestro. Teu nome é traição, perfeição, coletânea de erros imperdoáveis. É preto no branco que vira marrom, é azul do sol. É briga das dez ás dez, é amor das onze ás onze horas. É sorrir por dias não tendo motivos, os motivos se foram e restou isso, isso que me surpreende. Teu nome é internet, é revolta, é perdão.
Teu nome é a beleza sob duas pernas, tendo dois braços, um corpo, uma cabeça e dois coração ou metade de um. Você é 1,73 de mal-humor, é 107 de alegria, 39 de não tô nem aí. É a história de carochinha pra quem não gosta da escrita, é trilogia que pedi sempre mais um livro. É uma biblioteca de sentimentos, é cura, é exagero. É o melhor mesmo sendo pior. Você é o “eu te amo” disfarçado de “adeus, não me procura mais”.
É tudo que eu tenho.
É o que tem dentro da vitrine e eu não posso ter.
É o fim e o começo de tudo.
É tudo e o nada que lembro.
É nunca será nada pra mim.
É amar desde o primeiro oi.

Sam Nascimento, La vida passe.