domingo, 7 de junho de 2015

cinco e meia da manhã

o longo silêncio
com uma xícara de chá 
prestes a cair
no canto da mesa
são cinco e meia da 
manhã, 
são sempre

cinco e meia da manhã,
atenta à fresta da janela
o vento uiva 
lá fora:
o céu pincelado de rosa
e sons invisíveis
sob a pouca luminosidade do 
quarto:
a vista se diz cansada
as costas doem 
e uma lágrima
mancha versos
de nanquim
há papéis
jogados no chão
a camiseta 
está do lado avesso
e eu:
semi nua 
arranhando cada pedaço
de pele que consigo
pensando no que 
não me deixa
dormir.

Inspirado em "quatro e meia da manhã" de Charles Bukowski, adaptado ao horário que eu geralmente acordo ou de como sucede uma madrugada qualquer.