o longo silêncio
com uma xícara de chá
prestes a cair
no canto da mesa
são cinco e meia da
manhã,
são sempre
cinco e meia da manhã,
atenta à fresta da janela
o vento uiva
lá fora:
o céu pincelado de rosa
e sons invisíveis
sob a pouca luminosidade do
quarto:
a vista se diz cansada
as costas doem
e uma lágrima
mancha versos
de nanquim
há papéis
jogados no chão
a camiseta
está do lado avesso
e eu:
semi nua
arranhando cada pedaço
de pele que consigo
pensando no que
não me deixa
dormir.
Inspirado em "quatro e meia da manhã" de Charles Bukowski, adaptado ao horário que eu geralmente acordo ou de como sucede uma madrugada qualquer.